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HOMILIA DE DON STEFANO GOBBI 

(transcrita de uma gravação)

 

Milão, 1º de janeiro de 2000

 

Seja louvado nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Digamos juntos: Obrigado Jesus, por ter nos dado tua Mãe.

 

E vamos, também nós, como os pastores, dóceis à voz do Anjo, até Belém. Belém!

 

Neste período de Natal, neste período litúrgico, vamos espiritualmente à Belém, acolhendo ao convite dos Anjos: “Ide até Belém. Anuncio a vós – diziam os Anjos na Noite Santa – uma boa nova, que é de alegria para todos: hoje nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor”.

 

Bem, no Coração Imaculado de Maria, vamos também nós, inclinemo-nos aqui diante do Menino Jesus e deponhamos a homenagem do nosso amor, da nossa adoração, do nosso agradecimento, da nossa reparação. Façamo-lo neste Natal, que assinalou um momento importante da história humana, uma hora importante no quadrante da história, dizia o Papa no Angelus de Natal, com a abertura da Porta Santa.  Vivamo-lo com particular intensidade de amor, oferecendo-nos ao Menino Jesus nas suas pequeninas mãos, como instrumento dócil, humilde, totalmente abandonados à Ele, para que possa realizar através de nós o seu triunfo de amor.

 

Possa trazer à este mundo, à esta humanidade que caminha nas trevas do pecado, do mal, da impureza, um raio do seu divino esplendor. Possa abrir a Porta dele mesmo, para que a humanidade passe através d’Ele e chegue ao Pai e possa finalmente gozar da alegria perene da salvação.

 

Vamos até Belém  e agradeçamos a Jesus por este dom que Ele nos deu. O berço já se une à Cruz. Toda a sua vida é oferecida em sinal de vítima para a nossa redenção. No dia do Natal nos faz ver à sua Mãe, virgem, toda bela, inclinada sobre Ele em ato de amor inefável,  cobrindo de beijos e de ternura este Corpo que d’Ela acaba de nascer, em meio a  tanta pobreza e miséria e deposto com amor materno em uma manjedoura.

 

Embalado por seus beijos, recoberto por suas lágrimas, estreitado entre seus braços, os seus olhos se abrem para olhar para Ela, para o encanto desta sua Mãe virginal, esta beleza formada no coração da Santíssima Trindade.

 

Então, contemplando esta beleza e este mistério, nós devemos beijar este pequenino Coração, pelo dom que nos dá, pelo dom que nos deu, pois, a Mãe que é sua,  torna-se, também, verdadeira Mãe nossa.

 

E então, devemos entrar no seu Coração Imaculado, para saborear todo o mistério,  o encanto e a alegria da boa nova, que nos é comunicada pelos Anjos.

 

“Ide até Belém! Hoje vos anuncio uma notícia que é de alegria para todos, porque vos nasceu um Salvador, Cristo Senhor”. Este pequenino Menino é a salvação do mundo, não há outro nome escrito sob os céus no qual a humanidade pode ser salva se não Jesus Cristo: Jesus Menino, Jesus Crucificado, Jesus morto na Cruz e Ressuscitado porque é Deus. Ele é o Vivente, é o Princípio e o Fim, é sempre o mesmo, ontem, hoje e amanhã.

 

Este é também o lema do Jubileu  do ano 2000. Porque Ele, Deus conosco, é o nosso único Redentor, é o nosso único Salvador.

 

No  Coração Imaculado de Maria devemos acolhê-Lo na nossa vida, devemos passar pela Porta Santa do Jubileu que é Ele. O Papa dizia na sua mensagem natalina: Ele é a Porta da vida, Ele é a Porta da alegria, Ele é a Porta da paz”. Se queremos viver esta nossa vida e não esbanjá-la, passemos pela Porta Santa de Cristo. Se quisermos que a nossa vida seja santificada e que se realize em comunhão com o Senhor, através da graça santificante que Ele nos obteve no momento da nossa redenção; se quisermos que a nossa vida seja verdadeiramente vida, passemos através da Porta Santa, que é Ele, Jesus Cristo. Mais sobretudo se quisermos que esta nossa vida esteja na paz, seja iluminada de uma alegria perene, profunda, de uma alegria tão profunda que ninguém pode roubar-nos do coração e da vida, passemos pela Porta Santa que é Cristo. Cristo seja tudo em nós, nós sejamos todos de Cristo.

 

Bem, no início deste novo ano e neste Cenáculo, devemos viver o Grande Jubileu com particular intensidade, porque é um dom de Deus que se realiza no tempo. As graças que descem e que se concretizam na nossa vida e que se  realizam também em determinados períodos históricos, são graças do tempo, é o hoje de Deus que se atua nas vicissitudes humanas da história.  E um particular hoje de Deus, uma graça especial é aquela do Grande Jubileu,  que nós neste ano somos todos chamados a viver. Então com este Cenáculo nós queremos  iniciar este ano do Grande Jubileu no Coração Imaculado de Maria.

 

Com este Cenáculo nós queremos ter certeza que todo este ano possa transcorrer dentro do Refúgio Seguro do seu Coração Imaculado. Com este Cenáculo nós queremos que este Ano Santo termine, no final deste Grande Jubileu, em 6 de janeiro de 2001, ainda no Coração Imaculado de Maria.

 

Porque no Coração Imaculado de Maria,  nós veremos, neste ano, a graça especial  que tem para a Igreja e para a humanidade, o Grande Jubileu.

 

Neste sentido, na minha Circular, eu dizia que também para o Movimento Sacerdotal Mariano, para o nosso Movimento – nós estamos aqui como cenáculo deste Movimento – se fecha um período e se abre uma nova fase.

 

Se fecha o período de sua lenta e silenciosa preparação e, no Coração Imaculado de Maria, se abre a nova fase da sua realização,  isto é, aquilo que Nossa Senhora fez em toda parte do mundo, preparando-nos  nestes anos, no ano do Grande Jubileu deve desabrochar como uma realidade, diante da Igreja, diante do mundo.  

 

Assim como nós, neste ano, devemos viver a  belíssima realidade de filhos consagrados à Maria, de filhos que trazem ao redor de si  o testemunho da sua presença e do seu amor materno, de filhos que querem, com Ela e por meio d’Ela, difundir na Igreja e no mundo o triunfo do seu Coração Imaculado.

 

Para que possamos fazer isto, o Coração Imaculado deve triunfar em cada um de nós, e nós devemos dar à Igreja e ao mundo o testemunho desta realidade. Realidade nova. O Coração Imaculado triunfa em nós, porque em nós triunfa JESUS CRISTO!

 

Nós, iluminados pela presença de Cristo, nós, santificados pela graça de Cristo, nós mesmos devemos, de uma certa maneira, nos tornarmos com Cristo, Porta, através da qual os nossos irmãos possam passar para experimentar e viver a alegria esplêndida e maravilhosa da sua salvação.

 

Mostremo-nos a todos como apóstolos de Maria, filhos a Ela consagrados, que levam e difundem no mundo a sua glória. Mostremo-nos a todos como os apóstolos destes últimos tempos. Últimos tempos, não no sentido de que o mundo se acaba, absolutamente não! Nós não temos nada a ver com aqueles que profetizam o fim do mundo. Mas o mundo deve ainda conhecer o seu maior esplendor, também da sua história, porque todo sofrimento, destes dois mil anos desde o nascimento de Cristo, tem sido ordenado para o seu maior triunfo, quando Cristo trará ao mundo o seu reino. E nós caminhamos para esta glorificação de Cristo.

 

Devemos estar cientes de uma realidade! (Una realtà dobbiamo essere!) Todos nos devem ver como um movimento formado por Nossa Senhora, para que possamos dar um testemunho corajoso de fé, trazer para nossa vida e em torno a nós, a sabedoria do Evangelho, o esplendor da sua verdade. Dizer que a verdade definitiva, última, absoluta é Deus. Deus é o princípio e a conclusão de qualquer verdade parcial. A Verdade absoluta é só Ele. E a verdade do Pai foi revelada em Cristo. Porque não tem outra verdade se não na Sua luz, se não iluminada do Seu divino  esplendor. Ele que disse de Si mesmo: “EU SOU A VERDADE!

 

Então coragem! Demos a todos o exemplo de crer na verdade da nossa fé, demos a todos o testemunho de crer no Evangelho.  Anunciemo-lo com coragem, com fidelidade, com humildade e com fortaleza e diante do propagar-se de tantos erros que são também ensinados e difundidos, demos a todos o esplendido exemplo  de estarmos sempre ancorados na luz da Verdade que é Cristo,  de estarmos sempre iluminados pelo Seu divino esplendor.

 

E em um mundo que está sufocado pelo mal e pelo pecado, demos o testemunho de ser filhos de Deus, criados pelo Seu amor, salvos pela Sua divina misericórdia, redimidos pelo sangue de Cristo que foi derramado na Cruz para nossa  salvação. Demos o exemplo de filhos de Deus que vivem em comunhão com Ele, lutando contra o pecado.

 

É um exemplo que deve explodir, que deve comunicar-se, que deve pouco a pouco transformar  o mundo,

 

Mas se o mundo foi arruinado por um poder especial e particular que o Senhor concedeu ao seu adversário, a satanás, por um período de cem anos, graças a Deus, os (anos) mil e novecentos terminaram! Estamos no (ano) dois mil!

 

Queremos que este poder de satanás se limite e por intervenção do Coração Imaculado de Maria, a qual solicita a Jesus que infunda no mundo o milagre do Seu amor misericordioso, este espírito do mal, todos espíritos malignos que construíram o seu reino, sejam, finalmente, lançados ao inferno! Seja fechada a porta do abismo e o mundo se abra à doce, renovada, luminosa, gozosa, santificante experiência da presença de Deus em meio a seus filhos.

 

Então, nos tornamos testemunhas desta realidade, porque nós vivemos para Ele, nós fomos criados por Ele, nós fomos redimidos por Ele.

 

Nós fomos criados nestes tempos para carregar a Cruz das circunstâncias dolorosas, que nos preparam para ver o maior triunfo de Cristo. Por isso vos convido a ler a parte conclusiva da minha Circular de 1º de janeiro de 2000.

 

Nela cito a Carta Apostólica que o Papa escreveu para o dia mundial das missões, na qual diz que: “os missionários são como as sentinelas,  que estão nos postos avançados, sobre o muro da Cidade de Deus, às quais nós indagamos – Sentinela, quanto resta da noite?

 

Temos vivido a treva profunda desta noite, estamos ainda dentro, plenamente, nesta noite. E então perguntamos a estas sentinelas: mas quanto resta ainda?

 

O Papa responde citando o Profeta Isaias: “ Não ouvis as sentinelas? Elas gritam de alegria porque veem com os seus olhos o retorno do Senhor de Sion”. E o Papa continua: ”na proximidade do terceiro milênio da redenção, se prepara uma grande primavera cristã, que se difundirá em todo o mundo”. O Papa tem a coragem de escrever isto. E, portanto, continua: “Com Maria, a Estrela da Manhã, digamos o nosso sim ao desígnio de salvação do Pai, para que todos os povos e todas as línguas possam ver a sua glória”.

 

Digamos, então, sim, agora  repetindo o Ato de Consagração ao Coração Imaculado, neste primeiro sábado do ano, do século e do milênio. Digamos o nosso sim ao desígnio de salvação do Pai, que se realiza no Seu Filho Unigênito, Encarnado (eis o mistério de Belém); morto na Cruz (eis o mistério do Calvário); e Ressuscitado, porque Ele é o Vivente, é Deus conosco.

 

Ele é o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega, sempre o mesmo, ontem, hoje e amanhã. Ele, irmãos e irmãs, é a Estrela luminosa da Manhã, que nos leva a viver o novo Dia, esperado e preparado por tanto sofrer.

 

Seja louvado nosso Senhor Jesus Cristo!